jueves 28 de octubre de 2010
Uma das primeiras apresentações oficiais de vocês foi durante o primeiro Planeta Atlântida, em janeiro de 1996. Cerca de 40 mil pessoas viram a banda tocar. Vocês ainda se lembram como foi a sensação na época? Foi inesquecível, por várias razões. Primeiro porque, naquela época, éramos uma banda muito pouco conhecida, mesmo em nossa cidade. Então, receber um convite para fazer um show num festival desse tamanho, com um mega público, foi surpreendente e, para nós, significou um super reconhecimento, ou seja, as pessoas nos acham uma banda bacana. Segundo porque estávamos naquele momento, vivendo um clima meio de crise, uma certa deprê, pois nosso primeiro disco não havia tido muita repercussão e não havia vendido muito. E por fim, foi inesquecível, principalmente porque tocamos para uma multidão fantástica, fizemos um show impecável, pois estávamos muito a fim de mostrar o que era o Papas ao vivo. Mandamos muito bem, tocamos entre Titãs e Fernanda Abreu, estrelas do pop da época, e o nosso show foi super bem falado, na hora e nos dias e semanas seguintes. A repercussão foi muito positiva e isso nos deu ânimo e muita vontade de seguir fazendo e acreditando que era possível fazer o pop/rock que estávamos fazendo.

Vocês traduziram a música Eu Sei para o espanhol. Já pensaram em gravar um álbum inteiro em outra língua? Sim, surgiu uma proposta interessante de uma gravadora argentina , no sentido de gravarmos um disco em espanhol, o que é e sempre foi um desejo nosso. A idéia está evoluindo, estamos aos poucos, selecionando um possível repertório para fazer versões, e algumas canções de artistas de lá, ou canções originais em espanhol para regravarmos.

Pode-se dizer que Páginas da Vida e Viver a Vida foram portas para a entrada do Papas da Língua no sudeste? Sim. Principalmente Páginas da Vida, que foi a primeira.
Entre todos os shows que vocês já fizeram, é possível dizer que abrir para o Coldplay foi um dos mais importantes? Que outros shows vocês guardam na memória? Abrir um show de uma banda que a gente admira é um acontecimento. Foram, na verdade, três shows que fizemos, abrindo os três shows daquela turnê do Coldplay no Brasil. Inesquecíveis. No último dia, eles marcaram um encontro com a gente, onde pudemos rapidamente trocar algumas idéias. Nesses anos de carreira, foram muitos os shows especiais, pequenos ou grandes, não importa. Às vezes, um show para um público pequeno surpreende pela intensidade. Os shows para multidões emocionam justamente pela grandeza, tanta gente junto. Dentre os especiais, certamente estão a gravação e o lançamento do nosso dvd “Acústico Ao vivo Papas da Língua”, os shows de lançamento dos álbuns “Xa-la-lá” e “Baby Bum”, os shows em Angola e Cascais, em Buenos Aires, na França... enfim, é impossível eleger um!

Vocês estão sempre se renovando, mesmo depois de tanto tempo juntos, sempre inovam nos álbuns, passeando facilmente do reggae ao pop passando por baladinhas e outros ritmos. Como fazem para manter esta ecleticidade sem perder a qualidade? Todos nós do Papas acreditamos em fazer o que estamos a fim de fazer, sempre. Arriscando ou não, o que importa é fazermos uma música verdadeira. Mas acima de tudo, nosso critério básico é: fazer somente quando estamos a fim de fazer, ou seja, quando a vontade de mostrar alguma canção nova existe. É nesse momento que vamos lá e colocamos nossa energia nos arranjos, nas idéias; é nesse momento que temos verdadeiro tesão para experimentar timbres e sonoridades, letras e idéias. Aí entra também aquele papo de estar sendo diariamente influenciado por tudo que acontece no mundo, não só na música, mas na vida de um modo geral. Além disso, nós quatro somos, digamos, fiscais de qualidade, ou seja, internamente temos uma autocrítica muito grande. Nada pode ser meia boca, temos que esgotar os limites e procurar o máximo de qualidade nas composições e nos arranjos.

Vocês definem esse DVD que estão preparando como "música para dançar". Como foi a escolha deste set list? O conceito que queremos para esse DVD é justamente esse: música para dançar, num clima de festa. Para isso o repertório terá sete canções inéditas nossas; duas regravações , “Bloco na Rua” e “Pingos de amor”; e oito regravações com arranjos novos de músicas nossas de outros discos.
Antes de subir no palco ainda dá aquele friozinho na barriga? Sempre, não tem como não sentir um friozinho na barriga. O que é um bom sinal!

Vocês tem uma experiência de estrada que poucas bandas brasileiras atingem. Alguns críticos dizem que a essência da música está se perdendo e está se tornando em algo puramente comercial, com as bandas se transformando no que as gravadoras querem. O que vocês acham disso? Não concordo totalmente com essa opinião. Não é de hoje que as gravadoras ou mesmo pessoas tentam inventar ou criar artistas baseados em fórmulas de sucesso. Isso sempre existiu e vai existir. Mas não precisamos dar muita bola pra isso. Existe música boa e ruim hoje, mas sempre foi assim na história da música. Temos que ir atrás de bandas e artistas que gostamos e a internet, nesse sentido, é uma facilitadora. Não dá prá você ficar apenas esperando que as rádios e televisões rodem música que você gosta. É preciso buscar essa música boa em outros lugares, pesquisar. Talvez haja sim um desgaste, pois a humanidade já produziu tanta música boa, e às vezes queremos inovação, alguma coisa nova que mexa com a gente, como os Beatles mexeram e mexem até hoje. Mas não é tão simples assim, não é possível renovar e inovar o tempo inteiro.
Para quem quiser acompanhar o Papas na internet, quais são os links? Podem acessar: www.papasdalingua.com.br, www.twitter.com/papasdalingua, www.myspace.com/oficialpapasdalingua
